Primeiros humanos geneticamente modificados já são adolescentes. Entenda!

Em novembro deste ano, um cientista da Universidade de Ciência e Tecnologia de Shenzhen (sul da China), He Jiankui, e sua equipe, afirmam ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados.

Os bebês, Lulu e Nana, duas meninas nascidas há algumas semanas, estão em perfeito estado de saúde, diz o geneticista. A técnica usada foi a edição de genes conhecida como CRISPR para modificar um gene e tornar as gêmeas resistentes ao vírus que causa a AIDS.

Mas, de certa forma, essa notícia não era novidade. Algumas pessoas geneticamente modificadas já andam entre nós e podem até estar formadas na faculdade. O relato da primeira transferência de material genético para o DNA de um feto foi publicado em 1997, nos EUA.

Na época, cientistas injetaram o material genético de uma terceira pessoa em 30 embriões, concebidos através do DNA mitocondrial de duas mães. Ou seja, tecnicamente, os bebês teriam três pais. A ideia não era criar um tipo de “super humano”, mas sim prevenir que os bebês desenvolvessem doenças genéticas graves às quais os seus pais eram predispostos.

Isso porque, médicos de fertilidade em Nova Jersey suspeitaram que algumas mulheres não conseguiam engravidar por causa de materiais defeituosos em seus óvulos.

Para rejuvenescê-los, os médicos pegaram um pouco do enchimento gelatinoso de óvulos de mulheres saudáveis e o injetaram nos óvulos de suas pacientes antes de realizar a fertilização in vitro.

Os pesquisadores não pediram permissão à Food and Drug Administration (FDA), agência federal do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, para fazer o procedimento. Só deram a notícia depois que as pacientes tiveram bebês saudáveis.

Nossas células geram energia nas mitocôndrias, que carregam seus próprios genes. Os médicos de Nova Jersey corriam o risco de criar crianças com o DNA de três pessoas, não duas. Foi o que de fato aconteceu. Eles descobriram que algumas das crianças transportavam DNA mitocondrial das doadoras.

Em um relatório de 2001, eles o caracterizaram como “o primeiro caso de modificação genética de linhagem germinativa humana, resultando em crianças saudáveis e normais”. A linhagem germinativa é a linhagem de células que constitui cada pessoa.

A FDA não gostou. A agência exigiu formulários das clínicas que quisessem testar o método. E as clínicas pararam de fazer injeções em óvulos. Até aquele momento, talvez uma dúzia de crianças já tivesse nascido com uma mistura de DNA. Os médicos de Nova Jersey seguiram acompanhando algumas dessas crianças e não encontraram nada incomum em sua saúde.

Não se sabe se os 30 bebês se tornaram pessoas saudáveis, porém o Instituto de Ciência e Medicina Reprodutiva (IRMS) de Santa Barnabas, começou a acompanhar 17 destes adolescentes. A identidade dos jovens não foi divulgada por questões éticas e experimentos do tipo foram proibidos nos EUA desde 2002.

No entanto, isso quer dizer que, a partir do momento em que atingem sua idade adulta e podem reproduzir, as suas modificações genéticas podem passar para seus descendentes, e acompanhar as famílias resultantes ficará cada vez mais difícil.

Já no caso das gêmeas chinesas, o cientista, He Jiankui postou um vídeo no Youtube explicando que “duas encantadoras gêmeas, Lulu e Nana, nasceram nas últimas semanas em excelente estado de saúde, para a alegria da mãe, Grace, e do pai, Mark”.

O pai, explica o cientista, é portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS, e nunca pensou que poderia ter filhos.

Segundo o especialista, as meninas foram concebidas por inseminação artificial. Depois da fecundação, a equipe científica injetou os reagentes CRISPR no embrião para inibir o gene CCR5. O objetivo era modificar o gene que o vírus usa como porta para entrar no sistema imunológico humano, no caso o CCR5. As gêmeas agora têm uma modificação que supostamente as protege contra o vírus da AIDS, segundo o geneticista.

Ao longo do desenvolvimento de embriões, primeiro em laboratório e depois implantados no útero da mãe, os especialistas verificaram várias vezes, sequenciando o código genético dos fetos, que tudo estava se desenvolvendo como deveria e as meninas não apresentavam mais mutações além da prevista. “Nenhum outro gene apresentou mudanças”, diz He. A comprovação foi repetida depois do nascimento, anunciado originalmente em uma entrevista exclusiva à agência AP e em um artigo na MIT Technology Review.

De acordo com a AP, os pais de Lulu e Nana não são os únicos que se submeteram aos seus testes. Seis outros casais, nos quais o homem é soropositivo, também aceitaram o programa, o que abre a possibilidade de que as duas meninas não sejam as únicas geneticamente modificadas.

O geneticista, formado nos Estados Unidos e que retornou à China por conta de um programa para atrair talentos educados no exterior, diz estar ciente da polêmica que sua iniciativa está despertando. Mas, diz também, que não lhe parece que isso apresente problemas éticos. Tudo o que fez, afirma, foi “abrir uma igualdade de oportunidades para ter famílias saudáveis”.

 (Foto: Freeimagens)

(Foto: Freeimagens)O polêmico experimento do cientista chinês mudou a humanidade para sempre. Desde o dia 28 de novembro durante o evento sobre ética da manipulação genética em Hong Kong quando o geneticista anunciou o nascimento de duas gêmeas com seu DNA modificado e detalhou seu trabalho, as críticas começaram e foi chamado de imprudente. O teste teria sido impossível sob a lei norte-americana e ilegal sob as normas europeias. Mas na China, as regulações não são tão rigorosas. O país foi o primeiro a modificar genes de embriões humanos (não viáveis) e de macacos com a CRISPR.

O professor Julian Savulescu, diretor do Centro Uehiro de Ética Prática da Universidade de Oxford, disse à agência Science Media Centre que “se for verdade, esta experiência é monstruosa”. “Os embriões eram saudáveis, sem doenças conhecidas. A edição genética em si é experimental e ainda está associada a mutações indesejadas, capazes de causar problemas genéticos em etapas iniciais e posteriores da vida, inclusive o desenvolvimento de câncer.”

O especialista também lembra que já existem formas muito mais eficazes de prevenir a AIDS, inclusive o sexo protegido, e mesmo que a síndrome seja contraída, hoje existem tratamentos eficazes. “Esta experiência expõe crianças normais e saudáveis aos riscos da edição genética em troca de nenhum benefício necessário real.”

“Será impossível evitar a existência de um mercado clandestino de edição genética. As pessoas vão querer uma criança perfeita e estarão dispostas a pagar muito para ter uma. Podemos estar apenas diante do começo de um mercado clandestino da perfeição”, alerta Julian.

Os organizadores do encontro qualificaram o nascimento das gêmeas como “irresponsabilidade”. O governo chinês o considerou ilegal. Glenn Cohen, da Faculdade de Direito de Harvard, especulou sobre o que pode acontecer de agora em diante. “Haverá uma forte ação regulatória”, disse ele. Quando as pessoas estão com medo, “acabam tomando decisões não muito sutis”.

Já no caso das gêmeas chinesas, o cientista, He Jiankui postou um vídeo no Youtube explicando que “duas encantadoras gêmeas chinesas, Lulu e Nana, nasceram nas últimas semanas em excelente estado de saúde, para a alegria da mãe, Grace, e do pai, Mark”. O pai, explica o cientista, é portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS, e nunca pensou que poderia ter filhos.

Segundo o especialista, as meninas foram concebidas por inseminação artificial. Depois da fecundação, a equipe científica injetou os reagentes CRISPR no embrião para inibir o gene CCR5. O objetivo era modificar o gene que o vírus usa como porta para entrar no sistema imunológico humano, no caso o CCR5. As gêmeas agora têm uma modificação que supostamente as protege contra o vírus da AIDS, segundo o geneticista.

Ao longo do desenvolvimento de embriões, primeiro em laboratório e depois implantados no útero da mãe, os especialistas verificaram várias vezes, sequenciando o código genético dos fetos, que tudo estava se desenvolvendo como deveria e as meninas não apresentavam mais mutações além da prevista. “Nenhum outro gene apresentou mudanças”, diz He. A comprovação foi repetida depois do nascimento, anunciado originalmente em uma entrevista exclusiva à agência AP e em um artigo na MIT Technology Review.

De acordo com a AP, os pais de Lulu e Nana não são os únicos que se submeteram aos seus testes. Seis outros casais, nos quais o homem é soropositivo, também aceitaram o programa, o que abre a possibilidade de que as duas meninas não sejam as únicas geneticamente modificadas.

O geneticista, formado nos Estados Unidos e que retornou à China por conta de um programa para atrair talentos educados no exterior, diz estar ciente da polêmica que sua iniciativa está despertando. Mas, diz também, que não lhe parece que isso apresente problemas éticos. Tudo o que fez, afirma, foi “abrir uma igualdade de oportunidades para ter famílias saudáveis”.

O polêmico experimento do cientista chinês mudou a humanidade para sempre. Desde o dia 28 de novembro durante o evento sobre ética da manipulação genética em Hong Kong quando o geneticista anunciou o nascimento de duas gêmeas com seu DNA modificado e detalhou seu trabalho, as críticas começaram e foi chamado de imprudente.

O teste teria sido impossível sob a lei norte-americana e ilegal sob as normas europeias. Mas na China, as regulações não são tão rigorosas. O país foi o primeiro a modificar genes de embriões humanos (não viáveis) e de macacos com a CRISPR.

O professor Julian Savulescu, diretor do Centro Uehiro de Ética Prática da Universidade de Oxford, disse à agência Science Media Centre que “se for verdade, esta experiência é monstruosa”. “Os embriões eram saudáveis, sem doenças conhecidas. A edição genética em si é experimental e ainda está associada a mutações indesejadas, capazes de causar problemas genéticos em etapas iniciais e posteriores da vida, inclusive o desenvolvimento de câncer.”

O especialista também lembra que já existem formas muito mais eficazes de prevenir a AIDS, inclusive o sexo protegido, e mesmo que a síndrome seja contraída, hoje existem tratamentos eficazes. “Esta experiência expõe crianças normais e saudáveis aos riscos da edição genética em troca de nenhum benefício necessário real.”

“Será impossível evitar a existência de um mercado clandestino de edição genética. As pessoas vão querer uma criança perfeita e estarão dispostas a pagar muito para ter uma. Podemos estar apenas diante do começo de um mercado clandestino da perfeição”, alerta Julian.

Os organizadores do encontro qualificaram o nascimento das gêmeas como “irresponsabilidade”. O governo chinês o considerou ilegal. Glenn Cohen, da Faculdade de Direito de Harvard, especulou sobre o que pode acontecer de agora em diante. “Haverá uma forte ação regulatória”, disse ele. Quando as pessoas estão com medo, “acabam tomando decisões não muito sutis”.


Por Larissa Maestri com informações do The New York Times.

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